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Muitos animais do mar passam a vida adulta presos a uma superfície dura. Cracas, corais, esponjas e briozoários (pequenos animais que formam colônias com cara de musgo) nascem como larvas soltas e precisam achar onde se fixar.
No mar aberto, superfície dura é rara. A larva que não encontra apoio em poucos dias some. A pedra-pomes resolve a falta: oferece chão firme, poroso e flutuante, cruzando o oceano na velocidade da correnteza.
Bryan já tinha visto a cena antes. Em 2006, outro vulcão submarino de Tonga, o Home Reef (Recife de Casa), soltou uma balsa parecida. Bryan e colegas seguiram as pedras até a costa da Austrália e publicaram o resultado em 2012 na revista PLoS ONE.
A equipe recolheu pedaços que chegaram às praias e contou os seres grudados neles. A lista passou de 80 espécies, entre cracas, corais, algas, moluscos e vermes marinhos.
Uma pedra do tamanho de um punho pode levar uma comunidade inteira de um arquipélago a outro. |
A viagem lenta ajuda. Uma balsa que leva meses para cruzar o mar dá tempo de as larvas crescerem a bordo. Quando a pedra encalha, chegam adultos prontos para se reproduzir, e não larvas frágeis.
Em 2019, essa história ganhou peso por causa da Grande Barreira de Corais, na costa de Queensland. O recife vinha de branqueamentos (a perda das algas que dão cor e comida ao coral, causada por água quente demais) em 2016 e 2017. Bryan disse em entrevistas que corais novos vindos de Tonga poderiam ajudar a repor as áreas perdidas.
O mesmo mecanismo também carrega riscos. Espécie que chega de carona a um lugar novo pode virar invasora e competir com as nativas. Nenhum levantamento publicado mostrou até hoje se a balsa de 2019 trouxe ganho ou dano à Grande Barreira, porque ninguém contou de forma sistemática o que desembarcou.
Para o mar em si, a balsa também deu trabalho. Pedra-pomes entope a entrada de água de refrigeração dos motores de barco, e o governo de Tonga avisou os navegantes para desviar da mancha naquele agosto.
A balsa ainda serve de laboratório para quem estuda o passado. Pedra-pomes de erupções antigas aparece em praias de várias ilhas do Pacífico, e os geólogos usam a composição química de cada pedaço para descobrir de qual vulcão ele saiu, como se lessem uma etiqueta de origem.
Restava medir, com dado e não com entrevista, para onde a pedra foi e quanto dela sobrou no caminho.
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