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A fábrica de espermatozoides usa a meiose (a divisão celular que produz óvulos e espermatozoides com metade dos cromossomos do corpo). Antes de se separarem, os cromossomos que formam par se encostam, trocam pedaços e depois seguem para polos opostos da célula.
Nos humanos, X e Y quase não têm trecho em comum. Eles se seguram por uma faixa curta nas pontas, a região pseudoautossômica (o pedaço de DNA idêntico nos dois, que permite o encaixe). Sem essa faixa, o par se solta antes da hora e o espermatozoide sai defeituoso.
No ornitorrinco, cada cromossomo sexual tem duas faixas dessas, uma em cada ponta, e cada ponta casa com um vizinho diferente. O X1 se prende ao Y1 por uma ponta; o Y1 se prende ao X2 pela outra; o X2 ao Y2, e assim até o Y5.
O resultado é uma corrente de dez elos na ordem X1, Y1, X2, Y2, X3, Y3, X4, Y4, X5, Y5. Nenhum elo encosta em outro do mesmo tipo. Todo X fica entre dois Y, e todo Y entre dois X, exceto as duas pontas da fila.
Quando a célula se prepara para dividir, a corrente se dobra em zigue-zague no centro dela. Os X ficam virados para um lado, os Y para o outro. Na hora da separação, as fibras puxam os cinco X para um polo e os cinco Y para o polo oposto, e a corrente se desfaz por inteiro.
O que está preso junto se move junto: a corrente transforma dez decisões de separação em uma só. |
Os citologistas (especialistas em observar células ao microscópio) já tinham visto, décadas antes, uma cadeia de cromossomos nas células do testículo do ornitorrinco. Faltava saber quantos elos havia nela, quais eram sexuais e em qual sequência se ligavam.
A resposta veio da pintura cromossômica, uma técnica de hibridização fluorescente (sondas de DNA marcadas com corante que brilham ao grudar num cromossomo específico). Cada cromossomo do ornitorrinco ganhou uma sonda própria, e a fila acendeu elo por elo no microscópio.
A contagem final deu 52 cromossomos no núcleo da célula do ornitorrinco, nos dois sexos. Desses, dez são sexuais. Na fêmea, os dez X formam cinco pares comuns e se separam como qualquer outro par, sem corrente nenhuma.
Como a célula garante que a fila se dobre sempre na mesma orientação ainda não tem explicação completa. O artigo de 2004 registra a ordem dos elos e o destino de cada metade; a maquinaria que impede um X de escapar para o polo dos Y segue sem descrição detalhada.
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