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O artigo se chama Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur (padrões de cor da plumagem de um dinossauro extinto). Saiu na Science em 2010, primeiro na versão online, em 4 de fevereiro, e depois na edição impressa de março. É artigo revisado por pares, a checagem em que outros especialistas avaliam o trabalho antes da publicação.
Assinam nove pesquisadores. Quanguo Li e Qingjin Meng, do Museu de História Natural de Pequim; Ke-Qin Gao, da Universidade de Pequim; Jakob Vinther, Derek Briggs e Richard Prum, da Universidade Yale; Matthew Shawkey e Liliana D'Alba, da Universidade de Akron, em Ohio; e Julia Clarke, da Universidade do Texas.
O exemplar analisado pertence ao acervo do museu de Pequim e veio da Formação Tiaojishan (uma sequência de rochas vulcânicas e de antigos lagos), no oeste da província de Liaoning. A espécie tinha sido descrita meses antes, em 2009, pela equipe de Xu Xing, do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim.
A disputa foi apertada. Poucos dias antes, na revista Nature, a equipe de Zhang Fucheng, de Pequim, e Michael Benton, da Universidade de Bristol, tinha mostrado listras ruivas e brancas na cauda do Sinosauropteryx. O artigo de Li foi o que reconstruiu o corpo inteiro de um dinossauro, ponto por ponto.
O método teve contestação. Em 2014, a equipe de Alison Moyer e Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, argumentou na Scientific Reports que bactérias fossilizadas também formam bastonetes e esferas, e que a forma sozinha não provaria pigmento.
A resposta veio da química. Em 2015, Johan Lindgren, da Universidade de Lund, na Suécia, examinou penas de Anchiornis com espectrometria de massa (técnica que identifica moléculas pelo peso) e encontrou nas cápsulas o sinal químico da eumelanina, num artigo também da Scientific Reports.
O preto do Anchiornis passou por dois testes independentes: a forma no microscópio e a química da molécula. |
Dois limites seguem de pé. Em 2013, Maria McNamara e Derek Briggs aqueceram e comprimiram penas modernas em laboratório, num estudo da Biology Letters, e viram as cápsulas encolherem, o que pode distorcer as medidas feitas em fósseis.
E a técnica só enxerga melanina. Amarelos e vermelhos de carotenoide (pigmento que a ave tira da comida, como o rosa do flamingo) não deixam cápsula. Se o Anchiornis tinha algum tom desses, a rocha apagou, e ninguém consegue dizer hoje se ele existiu.
A pergunta da edição fica para você: quantas cores do passado ainda dormem em gavetas de museu, esperando alguém com o microscópio certo?
29 amostras de pena. Foi o que a equipe de Quanguo Li mediu num só fóssil de Anchiornis para pintar o animal inteiro (Science, 2010).
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