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Em 1935, o físico americano Norman Haskell publicou na revista Physics a conta que explica a baía de Hudson. Ele usou a subida do chão da Escandinávia, outra região coberta de gelo na última glaciação, para medir quanto o manto resiste a escorrer.
A conclusão de Haskell parece estranha. Numa martelada, o manto se comporta como rocha sólida. Ao longo de milhares de anos, ele flui como um líquido muito grosso, igual a um piche que escorre devagar de um balde virado.
Esse comportamento tem nome técnico: ajuste isostático glacial (a acomodação lenta da crosta e do manto quando um peso de gelo chega ou vai embora). É o motor de toda a história da baía.
A carga era enorme. No modelo ICE-5G, publicado em 2004 pelo geofísico Richard Peltier, da Universidade de Toronto, na Annual Review of Earth and Planetary Sciences, a calota Laurentide passava de 3 quilômetros de espessura sobre a região.
Sob esse peso, a crosta afundou, e o manto logo abaixo foi espremido para os lados. A rocha pastosa escapou para as bordas da calota e levantou ali uma lombada periférica (um anel de terreno erguido em volta da área afundada).
Quando o gelo derreteu, o processo se inverteu. A rocha do manto começou a voltar para baixo da baía, empurrando a crosta para cima, e a lombada das bordas começou a baixar.
O gelo sumiu em poucos milênios, e a rocha de baixo ainda está devolvendo o lugar que ele ocupava. |
A volta deixou marcas visíveis. Assim que o gelo recuou, o oceano invadiu a terra ainda afundada e formou o Mar de Tyrrell, batizado em homenagem ao geólogo canadense Joseph Burr Tyrrell, bem maior que a baía atual.
Conforme o chão subiu, a água foi recuando. Cada parada da linha da costa deixou uma praia, e hoje essas praias antigas formam degraus paralelos de cascalho em terra seca, longe do mar, em volta de toda a baía.
O chão segue subindo. Segundo o estudo de Giovanni Sella e colegas, publicado em 2007 na Geophysical Research Letters, estações de GPS (receptores que medem a posição por satélite com precisão de milímetros) perto da baía sobem cerca de 1 centímetro por ano.
O mesmo estudo achou a outra ponta da gangorra. Ao sul dos Grandes Lagos, na antiga lombada periférica, as estações registraram o chão descendo devagar.
A subida devolve rocha para baixo da baía, e a gravidade ali aumenta aos poucos. Faltava saber se a volta explicava a falta inteira ou só uma parte, e a resposta exigia pesar o Canadá do espaço.
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