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O trabalho saiu na Science, da AAAS, em 4 de janeiro de 2013, com o título "Temperatura absoluta negativa para graus de liberdade de movimento", assinado por Simon Braun, Jens Philipp Ronzheimer, Michael Schreiber, Sean Hodgman, Tim Rom, Immanuel Bloch e Ulrich Schneider, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique e do Instituto Max Planck de Óptica Quântica.
A medição central tem três números: cerca de cem mil átomos de potássio 39, temperatura estimada em alguns bilionésimos de kelvin com sinal negativo, e a nuvem invertida estável por centenas de milissegundos dentro da rede óptica.
"Criamos um estado de temperatura absoluta negativa para os graus de liberdade de movimento de um gás atômico, uma condição em que a ocupação das energias mais altas supera a das mais baixas." Simon Braun, Immanuel Bloch, Ulrich Schneider e colegas, Science, 2013 |
Agora o contraditório, com o mesmo peso. Em 2014, Jörn Dunkel e Stefan Hilbert publicaram na Nature Physics um trabalho sustentando que a temperatura negativa some quando a desordem do sistema é calculada pela fórmula de Gibbs em lugar da fórmula de Boltzmann, e que a versão de Gibbs seria a consistente para sistemas pequenos.
A resposta veio no ano seguinte. Um grupo liderado por Daan Frenkel e Patrick Warren, na Physical Review Letters de 2015, e outros trabalhos do período defenderam a fórmula de Boltzmann e apontaram que a versão de Gibbs perde a ligação com temperatura medida por termômetro em casos simples. A disputa segue aberta na literatura, e ela é sobre definição de desordem, não sobre o dado do laboratório: ninguém contesta que a população dos átomos foi invertida.
Duas limitações merecem nome. A primeira: a temperatura negativa vale para o movimento dos átomos dentro da rede, e o gás continua acoplado ao resto do aparelho, que segue em temperatura positiva, então o estado é local e tem prazo de validade. A segunda: fora da rede óptica o teto de energia desaparece, a nuvem volta ao comportamento comum e não existe experimento que mantenha o sinal negativo em gás livre.
Fica também um mal-entendido que a repercussão de 2013 espalhou. Manchete da época falou em matéria mais fria que o zero absoluto, e o artigo afirma o contrário: o gás não desce abaixo do piso da agitação, ele sai do eixo por cima, passando do infinito. Chamar o estado de gelado inverte o sentido físico da medição.
"Quantas escalas do seu dia você lê pelo número, sem saber o que o número está medindo?"
Cem mil átomos de potássio 39 a alguns bilionésimos de kelvin com sinal negativo. Foi o estado registrado por Simon Braun, Immanuel Bloch, Ulrich Schneider e colegas da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, publicado na revista Science em 2013.
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