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A primeira imagem do estalo saiu da França. Em 1927, o físico Zéphirin Carrière publicou no Journal de Physique fotografias de sombras (a técnica que registra no filme as diferenças de densidade do ar) de um chicote estalado. Na foto aparecia a frente de choque saindo da ponta.
Em 1958, os físicos americanos Benjamin Bernstein, Donald Hall e Horace Trent publicaram no Journal of the Acoustical Society of America o estudo On the Dynamics of a Bull Whip (Sobre a Dinâmica de um Chicote de Boi). Com câmeras de alta velocidade, mediram a ponta acima da velocidade do som.
Faltava provar o elo entre a velocidade e o barulho no instante exato. Em 1998, Peter Krehl, Stephan Engemann e Dieter Schwenkel, do Instituto Ernst Mach, em Freiburg, na Alemanha, publicaram na revista Shock Waves a sincronia entre o movimento da ponta e a emissão da onda de choque.
O trabalho do grupo alemão mostrou o estalo nascendo no momento em que a ponta, já acima do som, faz a curva no fim da chicotada. A coincidência no tempo encerrou a dúvida sobre a origem do barulho.
Goriely e McMillen fecharam a explicação com matemática, em 2002, mostrando de onde vem a aceleração. |
O artigo da dupla, The Shape of a Cracking Whip (A Forma de um Chicote que Estala), descreveu a dobra como a peça central. Sem ela, a energia não se concentraria, e a ponta nunca passaria do som.
A pergunta saiu do couro e chegou aos fósseis. Em 1997, o tecnólogo americano Nathan Myhrvold, ex-diretor de tecnologia da Microsoft, e o paleontólogo canadense Philip Currie publicaram na revista Paleobiology uma simulação de computador com a cauda de um dinossauro gigante.
A cauda dos saurópodes (dinossauros herbívoros de pescoço e cauda muito longos) afinava até um fio de vértebras minúsculas. No modelo dos dois, a ponta funcionava como um chicote e chegava acima da velocidade do som.
A ideia virou debate, porque a cauda real era de carne, osso e pele, bem mais pesada do que o couro trançado. Ninguém mediu uma cauda viva, e os fósseis guardam só o esqueleto.
680 metros por segundo, o dobro da velocidade do som, na ponta de uma tira de couro (Goriely e McMillen, Physical Review Letters, 2002).
Fica a pergunta · até amanhã Qual dinossauro Nathan Myhrvold e Philip Currie simularam em 1997 estalando a cauda acima da velocidade do som? |
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