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O estudo de Mark Gordos e Craig Franklin saiu no Journal of Zoology em 2002, volume 258. O título em inglês fala em comportamento de mergulho de duas tartarugas australianas de respiração bimodal, em ambiente natural.
O segundo animal da comparação foi a Emydura macquarii, tartaruga comum da mesma bacia, que respira quase só pelo pulmão. Ter as duas no mesmo trecho de rio permitiu separar o efeito das bolsas do efeito da água e da temperatura.
O trabalho de campo aconteceu num trecho do Fitzroy perto de Gainsford, em Queensland central. A equipe capturou as tartarugas, colou transmissores acústicos no casco e devolveu cada animal ao ponto de captura.
Os transmissores mandavam a profundidade por som. Receptores na margem registravam quando a tartaruga estava no fundo e quando subia, por dias seguidos, sem ninguém mergulhando atrás dela.
Os números separaram as duas espécies. A Emydura macquarii subia com frequência, como esperado. A Rheodytes leukops ficava no fundo por muito mais tempo, e os mergulhos mais longos passaram de um dia inteiro.
O transmissor no casco trocou a observação na beira do rio por um registro contínuo do fundo. |
Em 2003, Gordos, Franklin e Colin Limpus voltaram ao tema no Canadian Journal of Zoology, com dados de estações diferentes. A diferença entre inverno e verão confirmou o peso da temperatura: água fria, mergulho longo; água quente, mais subidas.
Outros grupos mediram o oxigênio em laboratório. Tartarugas em tanques com ar ao alcance e água oxigenada mostraram que a via aquática responde por uma parte grande do consumo total, maior do que em qualquer outra tartaruga medida até então.
Ficou uma pergunta que os transmissores não resolvem: como a tartaruga regula o ritmo do bombeamento conforme a água muda. O controle nervoso dessas contrações segue pouco descrito.
Também falta saber quanto do mergulho longo vem das bolsas e quanto vem de um metabolismo mais lento no frio. Os dois efeitos aparecem juntos no inverno, e separar um do outro exige medir oxigênio no sangue de tartarugas soltas, um trabalho que o rio torna difícil.
O que o estudo de 2002 garante é o registro: tartarugas livres, no rio de verdade, passando horas a fio no fundo da corredeira enquanto a espécie vizinha subia.
Mais de 24 horas sem subir à superfície, registradas em tartarugas soltas no rio (Gordos e Franklin, Journal of Zoology, 2002). Uma barragem nova pode mudar esse fundo. Qual obra aprovada em 2020 no rio Fitzroy ameaça as corredeiras onde essa tartaruga respira?
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