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O camarão louva-a-deus é um estomatópode (ordem de crustáceos marinhos, parentes distantes de lagostas e caranguejos) e vive em tocas nos recifes rasos. Caça com um par de patas dobradas que dispara contra a presa.
Em 2004, a bióloga Sheila Patek, então na Universidade da Califórnia em Berkeley, filmou a espécie Odontodactylus scyllarus em alta velocidade e publicou na Nature: o golpe chega a 23 metros por segundo. A pancada racha conchas de caramujo e cria cavitação (bolhas de vapor que estouram e batem uma segunda vez).
Um caçador que ataca em milésimos de segundo não pode esperar o cérebro fazer contas. A interpretação de Thoen liga as duas pontas: reconhecer a cor direto no olho economiza processamento e ganha tempo. Uma presa amarela, um rival de antenas coloridas ou um coral vermelho seriam identificados na hora, mesmo sem nuance de tom.
Doze sensores largos entregam resposta imediata e pagam com o tom exato. |
A quantidade de receptores, sozinha, não garante visão fina. Em 2008, a equipe de Kentaro Arikawa, da Universidade Sokendai, no Japão, publicou na Proceedings of the Royal Society B que a borboleta Papilio xuthus, com oito variedades de receptor de cor, separa tons afastados por 1 a 2 nanômetros. A borboleta compara os sinais; o camarão, pelo que indica o teste de Thoen, não compara.
O olho rende também tecnologia. Em 2008, Tsyr-Huei Chiou e colegas, da Universidade de Maryland em Baltimore, mostraram na Current Biology que o camarão enxerga polarização circular (luz cuja vibração gira em espiral), o primeiro animal descrito com essa capacidade.
O engenheiro Viktor Gruev, então na Universidade Washington em St. Louis, usou o desenho da banda média para construir câmeras que captam cor e polarização no mesmo sensor. Em testes de laboratório, o equipamento ajudou a distinguir tecido com câncer de tecido sadio, que devolvem a luz polarizada de formas diferentes.
Para quem lê, sobra uma lição sobre medir. Contar receptores parecia resposta suficiente, e por anos a contagem foi tratada como prova de visão superior. Bastou um teste de comportamento para mostrar que o número de sensores diz pouco sobre o que o animal percebe.
A lição vale para gente também. Uma câmera de celular com mais megapixels não fotografa melhor se o processamento for fraco, e um olho com doze canais não vê mais tons se não compara o que recebe.
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