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Oskar Pfungst começou separando duas hipóteses: Hans sabia a resposta, ou alguém perto dele sabia? Para isolar a segunda, montou rodadas em que duas pessoas sussurravam cada uma um número no ouvido do cavalo, e Hans tinha de bater a soma.
Nenhum dos dois questionadores conhecia o número do outro. A soma, portanto, não existia na cabeça de ninguém na sala. Nessas rodadas, Hans errava quase sempre.
Bastava um único humano diante dele saber o resultado para os acertos voltarem. O cavalo não precisava ouvir a pergunta inteira; precisava de alguém que soubesse a resposta e estivesse à vista.
O segundo teste foi visual. Pfungst colocou antolhos (abas de couro presas ao cabresto que tapam a visão lateral do cavalo) em Hans e se posicionou de lado, fora do campo de visão dele.
Hans se esforçava para virar a cabeça e enxergar o questionador. Quando conseguia, acertava. Quando os antolhos o impediam, as respostas desandavam.
Hans não fazia a conta: ele lia o rosto de quem já tinha feito. |
Então Pfungst parou de olhar para o cavalo e passou a observar as pessoas. Achou o sinal. Ao terminar a pergunta, o questionador inclinava de leve a cabeça e o tronco para frente, para enxergar o casco. Hans começava a bater.
Quando a contagem chegava ao número certo, o questionador relaxava e erguia a cabeça um pouco, num gesto mínimo de alívio. Hans parava ali.
Ninguém fazia de propósito. Von Osten não percebia o próprio gesto, nem os membros da comissão, que também arrancavam respostas certas do cavalo sem saber como.
Pfungst levou o achado para o laboratório da universidade e inverteu os papéis. Ele fazia de cavalo, batendo a mão direita, enquanto voluntários pensavam num número. Lendo a mesma inclinação e o mesmo alívio, acertava a maior parte, e quase nenhum voluntário percebia o sinal que dava.
O teste final foi controlar Hans de propósito. Inclinando a cabeça, Pfungst fazia o cavalo começar a bater; erguendo a cabeça, fazia o cavalo parar, no número que quisesse, certo ou errado. Hans obedecia ao gesto e ignorava a pergunta, prova de que a conta nunca tinha passado pela cabeça dele.
O treino de von Osten tinha um prêmio: pão e cenoura a cada acerto. Em anos de aula, Hans aprendeu a observar movimentos que nenhum humano da sala enxergava, e a observação rendia comida. A inteligência do cavalo existia, só que voltada para pessoas, não para números.
A pergunta seguinte era se a falha estava no cavalo ou em quem mede qualquer ser vivo.
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