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Nature, 1964, volume 201. Isabel Joy Bear e Richard G. Thomas publicaram Nature of argillaceous odour, o artigo que cunhou a palavra petricor e mostrou que argilas e rochas secas acumulam voláteis liberados pela umidade.
Nature, 1965, volume 207. Os mesmos autores publicaram Petrichor and plant growth, o trabalho que ligou o material amarelado extraído das rochas a compostos que retardam a germinação de sementes durante a seca.
Journal of the American Chemical Society, 1965, volume 87. Nancy N. Gerber e Hubert A. Lechevalier publicaram a identificação e o nome da geosmina, isolada a partir de culturas de actinomicetos, a família das Streptomyces.
Aquele artigo é o marco que separa o cheiro genérico de terra molhada de uma molécula única com fórmula fechada, o que permitiu medir concentração e limiar em vez de descrever sensação.
Nature Communications, 2015, volume 6. Youngsoo S. Joung e Cullen R. Buie publicaram Aerosol generation by raindrop impact on soil, o estudo do MIT com câmeras de alta velocidade que flagrou as bolhas dentro da gota e a rajada de aerossol.
O argumento central daquele trabalho é o que fecha a história: o solo não solta o cheiro por evaporação, e sim por um mecanismo de lançamento mecânico, com a bolha de ar aprisionada funcionando como propelente.
Journal of Bacteriology e trabalhos correlatos de 2007 e 2008, com Jiaoyang Jiang, Xiaofei He e David E. Cane, descreveram a enzima geosmina sintase e o caminho bioquímico completo da síntese em Streptomyces coelicolor.
Nature Ecology and Evolution, 2020, volume 4. Paul G. Becher, Vasiliki Verschut e colaboradores publicaram Developmentally regulated volatiles geosmin and 2-methylisoborneol attract a soil arthropod to Streptomyces bacteria promoting spore dispersal, o estudo dos colêmbolos que espalham os esporos.
Nature, 2012, volume 488. Marcus C. Stensmyr e colaboradores publicaram A conserved dedicated olfactory circuit for detecting harmful microbes in Drosophila, a demonstração do circuito neural exclusivo de geosmina no cérebro da mosca.
O ponto ainda em disputa é a razão evolutiva da sensibilidade humana. A hipótese da busca por água é elegante e amplamente citada, mas não existe teste direto que a comprove em população humana, e há quem defenda que o detector é herança sem função atual.
Também segue aberta a contabilidade do aerossol em escala grande. Quanto do material biológico que circula na atmosfera, incluindo bactérias vivas, é lançado por esse mesmo mecanismo de gota e bolha, é número que ainda está sendo medido.
"Quantas coisas que você atribui à natureza são, na verdade, produto químico de um ser vivo que você nunca viu?"
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