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Ciência Bizarra

EDIÇÃO Nº 034

O FENÔMENO DO DIA

O maior ser vivo da Terra é um fungo de 9 km²

Malheur National Forest, Oregon, Estados Unidos

VERIFICADO, CAN. J. FOR. RES., 2008

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Floresta de coníferas na Malheur National Forest, no Oregon, com solo coberto de agulhas e troncos ao amanhecer, luz dourada filtrada entre as árvores

A DECLARAÇÃO

Sob uma floresta do Oregon, um único fungo se estende por 9 km², quase todo enterrado. Pode ser o maior ser vivo do planeta em área, com idade estimada entre 2.400 e 8.650 anos.

O maior ser vivo do planeta em área não tem tronco nem folhas. É um único fungo espalhado por quilômetros sob uma floresta do Oregon, vivo há milhares de anos. A maior parte dele está enterrada, longe de qualquer olho.

I

O Mecanismo

A espécie é o Armillaria ostoyae, um fungo conhecido pelos cogumelos cor de mel que brotam no outono. O que você vê na superfície é a menor parte.

A maior parte vive sob o solo, na forma de uma rede branca e filamentosa que se infiltra entre as raízes das coníferas e por baixo da casca dos troncos.

Cada fio dessa rede carrega o mesmo material genético: tudo ali é um só indivíduo, crescido a partir de um único esporo que germinou há milênios.

O que torna esse fungo tão vasto é uma estrutura chamada rizomorfo: cordões pretos e resistentes, parecidos com cadarços, que funcionam como cabos de avanço.

Eles atravessam o solo procurando novas raízes para colonizar e permitem que o organismo se espalhe de árvore em árvore, ano após ano, sem nunca se fragmentar em seres separados. É assim que um único genético chega a cobrir uma área equivalente a mais de mil campos de futebol.

A idade vem desse ritmo de avanço. Medindo quanto o fungo cresce por ano e dividindo pela extensão atual, a estimativa cai entre 2.400 e 8.650 anos. Para a floresta, esse gigante é um parasita: ele mata as coníferas pela base, apodrecendo a madeira e deixando clareiras de árvores mortas.

O mapa do organismo foi traçado justamente seguindo o rastro dessas mortes, somado a testes genéticos que confirmaram que toda a mancha é o mesmo indivíduo.

II

Por que Importa

O caso desmonta a ideia intuitiva de que um ser vivo precisa ser uma coisa compacta, que cabe na vista. O maior organismo conhecido não tem cara de organismo: é uma teia invisível, espalhada, silenciosa, sob seus pés.

Ele força uma pergunta difícil até para a biologia, a de onde termina um indivíduo e começa outro. E lembra que a parte mais impressionante da vida raramente é a que aparece na superfície. O que cresce no escuro, devagar, por milênios, costuma ser o que dura.

III

A Fonte

Schmitt, C. L., & Tatum, M. L. (2008). The Malheur National Forest: Location of the World's Largest Living Organism. Canadian Journal of Forest Research.

Peer-reviewed. O levantamento mapeia a extensão do Armillaria ostoyae na Malheur National Forest pelo padrão de mortalidade das coníferas e por testes genéticos, confirmando 9 km² de um único indivíduo e estimando sua idade entre 2.400 e 8.650 anos.

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