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O artigo que sustenta esta edição saiu na Soft Matter, revista da Royal Society of Chemistry, em 2021, assinado por Patricia Yang, David Hu e colegas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, com apoio de campo de pesquisadores da Universidade da Tasmânia. O material veio de vombates mortos em atropelamento, e a medição principal foi a resposta da parede intestinal à pressão de um balão inflado dentro do tubo.
O grupo já havia apresentado a primeira versão do resultado em 2018, num encontro da Divisão de Dinâmica de Fluidos da Sociedade Americana de Física, e recebeu por esse trabalho o Ig Nobel de Física de 2019, prêmio dado a pesquisa que faz rir antes de fazer pensar.
"Intestinos de rigidez não uniforme moldam os cantos das fezes do vombate." Patricia Yang, David Hu e colegas, Soft Matter, 2021 (título do artigo) |
A medição central do artigo é a variação de propriedade ao redor da circunferência no trecho final: fator de dois na espessura da parede e fator de quatro na rigidez, concentrados nos últimos 17% do comprimento do intestino. Esse par de números é o que separa a explicação medida das versões antigas, que atribuíam o cubo a um esfíncter de formato quadrado ou a algum corte na saída. Nenhuma dessas versões antigas tinha anatomia que a sustentasse.
Agora o contraditório, com o mesmo peso. O número de animais medidos foi pequeno, porque o material depende de atropelamento e de autorização, e a medição foi feita em tecido de animal morto, sem tônus muscular ativo. O modelo reproduz a formação da aresta, mas ninguém filmou o processo dentro de um vombate vivo, e essa observação direta continua ausente da literatura.
Duas perguntas seguem abertas, e é honesto nomear as duas. A primeira: o vombate-de-nariz-peludo-do-sul (Lasiorhinus latifrons) também produz blocos, e ninguém publicou a mesma medição de parede nessa espécie, então não se sabe se a anatomia se repete ou se convergiu por outro caminho. A segunda: não existe medição publicada da pressão real dentro do intestino de um vombate acordado, e sem esse valor o modelo de formação usa pressão estimada, não pressão registrada.
Fica ainda um ponto que a curiosidade popular resolve rápido demais. A vantagem de o bloco não rolar da pedra é plausível e coerente com o hábito de marcar território em ponto alto, mas ninguém publicou experimento comparando taxa de permanência de bloco e de cilindro na mesma superfície. A explicação funcional segue sem teste de campo.
"Quantas formas do seu dia foram desenhadas por um molde, e quantas por uma resistência desigual que ninguém projetou?"
17% do comprimento do intestino, segundo a medição de Patricia Yang, David Hu e colegas do Instituto de Tecnologia da Geórgia publicada na Soft Matter em 2021.
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