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Uma perfuratriz comum gira a coluna inteira de tubos a partir da superfície. Com 12 quilômetros de aço pendurados, o giro torceria os tubos antes de chegar à rocha. A solução soviética foi a turbobroca (uma turbina instalada logo acima da broca, movida pela lama bombeada lá de cima).
A lama de perfuração, uma mistura de água, argila e aditivos, descia por dentro dos tubos, fazia girar a turbina e voltava pelos lados do furo trazendo os fragmentos de rocha. Só os últimos metros da coluna giravam. O resto dos tubos ficava parado, pendurado na torre, e servia apenas de cano para a lama e de cabo para a broca.
Os tubos eram de liga de alumínio, mais leve do que o aço, para a coluna aguentar o próprio peso. Yevgeny Kozlovsky, então ministro da Geologia da URSS, descreveu o conjunto na revista Scientific American em dezembro de 1984.
O preço da profundidade era o tempo. A cada broca gasta, a equipe precisava puxar a coluna inteira, desatarraxar tubo por tubo, trocar a ponta e descer tudo de volta. No granito duro, uma broca nova cortava poucos metros antes de se desgastar.
As amostras subiam num ritual em quatro passos:
1. Uma broca oca, em forma de coroa, cortava um cilindro de rocha, chamado testemunho, sem triturar o miolo.
2. O cilindro ficava preso num tubo coletor logo acima da coroa.
3. A coluna subia inteira até a superfície, com o testemunho guardado lá dentro.
4. Os geólogos mediam, descreviam e numeravam cada cilindro, que seguia para os laboratórios de Kola e de Moscou.
Com os testemunhos na mão, a equipe começou a explicar as surpresas. O calor veio primeiro. O granito carrega urânio, tório e potássio radioativos, elementos que liberam calor ao se desintegrar, e as rochas de Kola esquentavam a crosta mais do que o modelo supunha.
Aos 180 graus, sob pressão gigantesca, a rocha deixava de se comportar como pedra rígida. Ficava parecida com uma massa plástica, e o furo tendia a se fechar atrás da broca. A equipe precisava refazer trechos já perfurados e, várias vezes, desviar o furo para um ramo novo a partir de um ponto mais alto.
A água teve outra origem. A pressão no fundo arrancava átomos de hidrogênio e oxigênio dos próprios minerais, e os dois se juntavam em água. Uma camada de rocha impermeável acima impedia a fuga, e a água ficava presa nas rachaduras do granito, quente e carregada de sais.
A troca de rocha vista pelos sismógrafos era o mesmo granito, rachado e transformado pelo calor e pela pressão. |
Foi a explicação para o basalto ausente. O sinal sísmico refletia numa camada onde o granito estava fraturado e encharcado, e a onda mudava de velocidade ali. Os geofísicos tinham lido a mudança de velocidade como mudança de rocha.
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