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O lago de Maracaibo ocupa o fundo de uma bacia (uma baixada cercada de terreno alto). A oeste fica a Serra de Perijá, na fronteira com a Colômbia. Ao sul e a leste sobem os Andes de Mérida, com picos acima de 4.900 metros.
A forma lembra uma panela aberta para o norte, onde o lago se liga ao golfo da Venezuela e ao mar do Caribe. O calor do dia fica preso nesse fundo baixo, e a água do lago passa o ano morna, perto de 30 graus na superfície.
Durante o dia, o sol esquenta mais a terra do que a água. O ar sobe nas encostas, e uma brisa sai do lago em direção às montanhas. As nuvens se formam sobre os morros, longe da água.
À noite, o sentido se inverte. As encostas perdem calor depressa, e o ar frio e pesado escorre montanha abaixo, um vento chamado catabático (o vento que desce a encosta por ser mais denso que o ar em volta).
O ar frio das serras desce de três lados e se encontra justo sobre a água morna do sudoeste do lago. |
O lago, mais quente que a terra à noite, alimenta o ar logo acima com umidade e calor. Quando o vento frio chega por baixo, ele funciona como uma cunha: levanta o ar quente e úmido, que sobe depressa.
Na subida, o vapor esfria e condensa. Formam-se os cúmulos-nimbos (as nuvens altas de tempestade, em forma de torre), que passam de 15 quilômetros de altura em noite de calor.
Dentro dessas torres, cristais de gelo, granizo miúdo e gotas super-resfriadas (água ainda líquida abaixo de zero) se chocam o tempo todo. Cada choque troca carga elétrica. As partículas leves sobem com carga positiva, e as pesadas ficam embaixo com carga negativa.
Quando a diferença entre as camadas fica grande demais para o ar isolar, a descarga rompe o caminho. A maior parte dos clarões do Catatumbo corre de uma nuvem para outra, ou dentro da mesma nuvem, sem tocar o chão.
O canto sudoeste concentra o efeito por geografia. Ali as brisas das duas serras se cruzam, e a foz do Catatumbo despeja água doce e umidade extra vinda dos pântanos da margem.
Uma explicação popular atribuía os raios ao metano (o gás que sai da matéria orgânica podre) dos pântanos. Nenhuma medição sustentou a ideia: o gás não carrega a nuvem, e o padrão dos clarões segue o vento e o relevo.
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