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Journal of the Optical Society of America, 1962, volume 52. Frances C. Volkmann publicou Vision during voluntary saccadic eye movements, a medida clássica do limiar de detecção subindo durante o salto do olho.
Aquele trabalho estabeleceu a janela temporal do apagão e mostrou que ela começa um pouco antes do movimento e termina um pouco depois, o que já indicava um mecanismo antecipatório.
Vision Research, 1975, volume 15. Bruce Bridgeman, David Hendry e Lawrence Stark publicaram Failure to detect displacement of the visual world during saccadic eye movements, a demonstração de que um objeto pode pular de lugar durante a sacada sem que ninguém veja.
Nature, 1994, volume 371. David C. Burr, M. Concetta Morrone e John Ross publicaram Selective suppression of the magnocellular visual pathway during saccadic eye movements, a descoberta de que o corte atinge o canal de movimento e poupa o de cor e detalhe.
Nature, 2001, volume 414. Kishore Yarrow, Patrick Haggard, Ron Heal, Peter Brown e John Rothwell publicaram Illusory perceptions of space and time preserve cross-saccadic perceptual continuity, o experimento do relógio e a medida da superestimação de até cento e vinte milissegundos.
O argumento central daquele artigo é o que mudou o entendimento do problema: a distorção não é um defeito do sistema, e sim o preço cobrado para manter a percepção contínua apesar do intervalo sem imagem.
Trends in Neurosciences, 2001, volume 24. John Ross, M. Concetta Morrone, Michael Goldberg e David Burr publicaram Changes in visual perception at the time of saccades, a revisão que organizou supressão, deslocamento e compressão espacial num quadro só.
Current Biology, 2002, volume 12. Susan Hodinott-Hill, Kishore Yarrow, Peter McLauchlan e Patrick Haggard publicaram Auditory chronostasis: hanging on the telephone, a versão auditiva da mesma distorção temporal.
Nature Communications, 2020, volume 11. Saad A. Idrees, Matthias P. Baumann, Felix Franke, Thomas A. Münch e Ziad M. Hafed publicaram Perceptual saccadic suppression starts in the retina, o registro de retinas isoladas suprimindo sozinhas, sem comando do cérebro.
O ponto ainda em disputa é a divisão de trabalho entre olho e córtex. Quanto da supressão nasce na retina e quanto é ordem central continua sendo medido, e os números variam conforme o contraste e a velocidade do estímulo.
Também segue aberta a mecânica exata do carimbo temporal. Onde o cérebro guarda a imagem que vai ser esticada para trás, e como ele decide o quanto esticar, ainda não tem resposta com registro direto.
"Quantos pedaços do seu dia foram inventados pelo seu cérebro para que a fita não tivesse cortes?"
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