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No sono REM, o corpo fica quase todo paralisado. A atonia muscular (perda do tônus dos músculos) impede que o sonhador encene com braços e pernas o que vive no sonho. Os músculos que movem os olhos escapam da paralisia, e o diafragma também, para a respiração seguir.
O primeiro a usar a brecha foi o psicólogo Keith Hearne, na Universidade de Hull, na Inglaterra, em 1975. O voluntário Alan Worsley, sonhador lúcido frequente, mexeu os olhos num padrão combinado enquanto sonhava, e o traçado ficou registrado no papel do aparelho.
Em 1981, Stephen LaBerge, da Universidade Stanford, repetiu o feito com outros voluntários e publicou os registros na revista Perceptual and Motor Skills. O sinal que ficou como padrão é simples: olhar todo para a esquerda, todo para a direita, e repetir o par.
O movimento combinado difere das varreduras naturais do REM, que são curtas e irregulares. No traçado, o sinal aparece como ondas largas e simétricas, fáceis de separar do movimento espontâneo.
Para ler o sinal, os laboratórios usam a polissonografia (registro simultâneo de várias medidas do corpo durante o sono). Ela junta o eletroencefalograma, que capta a atividade elétrica do cérebro, o eletro-oculograma, que capta o movimento dos olhos, e sensores no queixo, que mostram se o músculo está relaxado.
O olho é o músculo que o sono REM deixa livre, e foi por ele que a resposta saiu do sonho. |
A novidade de 2021 foi o canal de entrada. Os pesquisadores falavam com o sonhador pelo alto-falante do quarto, e em alguns laboratórios usaram também sons e luzes piscando. O voluntário, já lúcido, avisava com o sinal esquerda-direita que estava pronto.
A resposta seguia um código combinado na véspera. Para um número, o sonhador fazia tantos pares esquerda-direita quanto o resultado pedia. Para 8 menos 6, dois pares. Para 4 menos 0, quatro.
Em Paris, a equipe da neurologista Isabelle Arnulf, do Hospital Pitié-Salpêtrière, trabalhou com um paciente de narcolepsia (distúrbio em que o doente entra em sono REM poucos minutos depois de adormecer e costuma ter sonhos lúcidos). Ali o código usou o rosto: contrair o músculo do sorriso para sim, franzir a testa para não.
O critério para contar uma resposta como válida era duro. O traçado precisava mostrar sono REM em volta da pergunta, e o sinal de lucidez tinha que aparecer antes. Resposta dada com o cérebro já em vigília não entrava.
Como a voz chega ao sonhador sem acordá-lo segue em aberto. Durante o REM, o cérebro reduz a passagem de som para a consciência, mas não a corta, e uma frase curta, dita devagar e num volume baixo, às vezes atravessa. O artigo descreve o efeito e não registra o circuito que o explica.
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