In partnership with

Ciência Bizarra   Ciência Bizarra
ED 144
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.

O sonhador que respondeu 8 menos 6 com os olhos

Na Current Biology de 2021, 4 laboratórios fizeram perguntas a quem dormia em sono REM e receberam respostas certas, sinalizadas com os olhos.

Voluntário dormindo com eletrodos na cabeça num laboratório do sono

Voluntário em sono REM, laboratório do sono

▼

Em 2021, Karen Konkoly e Ken Paller, da Universidade Northwestern, publicaram na Current Biology um experimento feito por quatro laboratórios: perguntas ditas em voz alta a voluntários em sono REM (a fase de movimento rápido dos olhos, onde moram os sonhos mais vívidos) voltaram com a resposta certa 29 vezes, num total de 158 tentativas.

Uma das tentativas virou a imagem do estudo. Um pesquisador perguntou, devagar, quanto era 8 menos 6. O voluntário seguia dormindo, com eletrodos na cabeça e na pele perto dos olhos. Segundos depois, os olhos dele foram duas vezes para a esquerda e para a direita, num movimento amplo e marcado. Dois.

Ele não acordou para responder. O registro elétrico mostrava o cérebro no padrão do sono REM antes, durante e depois da pergunta. A conversa aconteceu com o sonhador dentro do sonho, e ele sabia que estava sonhando.

Esse estado se chama sonho lúcido: o sonho em que quem dorme percebe que está sonhando e às vezes consegue dirigir a cena. Os voluntários treinaram antes de deitar para reconhecer o estado e para usar um código combinado com os olhos.

Desde os anos 1970, os cientistas sabiam que um sonhador lúcido consegue mandar sinal para fora. O caminho inverso, receber uma pergunta nova, entender, calcular e devolver o resultado sem acordar, ninguém tinha documentado com registro de laboratório.

O resultado tem limite, e o artigo diz com todas as letras: na maior parte das 158 tentativas o sonhador não reagiu, e houve respostas erradas e ambíguas. Ainda assim, quatro equipes em quatro países, trabalhando com métodos próprios, chegaram ao mesmo achado.

Para entender como uma voz atravessa o sono sem acordar quem dorme, é preciso começar pela brecha que o corpo deixa aberta durante o sonho, e pelo código que transformou os olhos em teclado.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Tackle your credit card debt by paying 0% interest until nearly 2028

If you have outstanding credit card debt, getting a new 0% intro APR credit card could help ease the pressure while you pay down your balances. Our credit card experts identified top credit cards that are perfect for anyone looking to pay down debt and not add to it! Click through to see what all the hype is about.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Mecanismo

Os olhos viram teclado no sono REM

No sono REM, o corpo fica quase todo paralisado. A atonia muscular (perda do tônus dos músculos) impede que o sonhador encene com braços e pernas o que vive no sonho. Os músculos que movem os olhos escapam da paralisia, e o diafragma também, para a respiração seguir.

O primeiro a usar a brecha foi o psicólogo Keith Hearne, na Universidade de Hull, na Inglaterra, em 1975. O voluntário Alan Worsley, sonhador lúcido frequente, mexeu os olhos num padrão combinado enquanto sonhava, e o traçado ficou registrado no papel do aparelho.

Em 1981, Stephen LaBerge, da Universidade Stanford, repetiu o feito com outros voluntários e publicou os registros na revista Perceptual and Motor Skills. O sinal que ficou como padrão é simples: olhar todo para a esquerda, todo para a direita, e repetir o par.

O movimento combinado difere das varreduras naturais do REM, que são curtas e irregulares. No traçado, o sinal aparece como ondas largas e simétricas, fáceis de separar do movimento espontâneo.

Para ler o sinal, os laboratórios usam a polissonografia (registro simultâneo de várias medidas do corpo durante o sono). Ela junta o eletroencefalograma, que capta a atividade elétrica do cérebro, o eletro-oculograma, que capta o movimento dos olhos, e sensores no queixo, que mostram se o músculo está relaxado.

O olho é o músculo que o sono REM deixa livre, e foi por ele que a resposta saiu do sonho.

A novidade de 2021 foi o canal de entrada. Os pesquisadores falavam com o sonhador pelo alto-falante do quarto, e em alguns laboratórios usaram também sons e luzes piscando. O voluntário, já lúcido, avisava com o sinal esquerda-direita que estava pronto.

A resposta seguia um código combinado na véspera. Para um número, o sonhador fazia tantos pares esquerda-direita quanto o resultado pedia. Para 8 menos 6, dois pares. Para 4 menos 0, quatro.

Em Paris, a equipe da neurologista Isabelle Arnulf, do Hospital Pitié-Salpêtrière, trabalhou com um paciente de narcolepsia (distúrbio em que o doente entra em sono REM poucos minutos depois de adormecer e costuma ter sonhos lúcidos). Ali o código usou o rosto: contrair o músculo do sorriso para sim, franzir a testa para não.

O critério para contar uma resposta como válida era duro. O traçado precisava mostrar sono REM em volta da pergunta, e o sinal de lucidez tinha que aparecer antes. Resposta dada com o cérebro já em vigília não entrava.

Como a voz chega ao sonhador sem acordá-lo segue em aberto. Durante o REM, o cérebro reduz a passagem de som para a consciência, mas não a corta, e uma frase curta, dita devagar e num volume baixo, às vezes atravessa. O artigo descreve o efeito e não registra o circuito que o explica.

 
 

II  Por que Importa

Perguntar ao sonho enquanto ele acontece

Até 2021, quase todo dado sobre sonhos vinha do relato depois de acordar. A memória do sonho se desfaz em minutos, e o relato chega editado: o voluntário preenche lacunas, troca a ordem das cenas e esquece trechos inteiros.

O diálogo em tempo real abre outra porta. Com o sonhador respondendo de dentro do sonho, o pesquisador consegue checar o que ele percebe naquele momento, e não só o que lembra depois.

Os relatos colhidos ao acordar mostraram que a pergunta entra no sonho de formas diferentes. Alguns voluntários ouviram a voz do pesquisador vinda de fora da cena, por cima do enredo. Outros a ouviram distorcida, encaixada na história do próprio sonho.

Houve ainda quem respondeu certo e, depois de acordar, não lembrava ter ouvido pergunta nenhuma. O registro mostrava o sinal correto; a memória do sonhador não guardou a conversa.

Um sonhador consegue ouvir, calcular e responder sem sair do sonho, e o cérebro adormecido faz conta.

O sonho lúcido é menos raro do que parece. Em 2016, David Saunders e colegas, na Universidade de Northampton, reuniram cinco décadas de levantamentos numa meta-análise publicada na Consciousness and Cognition: 55% das pessoas relataram pelo menos um sonho lúcido na vida, e 23% relataram um por mês ou mais.

O grupo de Paller vê no método uma ferramenta de estudo. Com o canal aberto, o pesquisador pode pedir ao sonhador que treine um movimento, que encare um medo ou que resolva um problema dentro do sonho, e medir o efeito na hora.

O mesmo canal serve para testar o próprio sonho. O pesquisador pode perguntar ao sonhador o que ele vê, quanto tempo parece passar ou se consegue ler um texto ali dentro, e comparar a resposta dada na hora com o relato da manhã seguinte.

A terapia de pesadelos é um dos alvos. Pessoas com pesadelos repetidos, como as que passaram por trauma, poderiam receber instruções durante o sonho. Até o artigo de 2021, a ideia era proposta, sem teste clínico com o método da conversa.

O limite prático pesa. Poucos voluntários conseguem ficar lúcidos no laboratório, com fios na cabeça e numa cama estranha. Das 158 perguntas, a maioria ficou sem resposta do sonhador, e a técnica depende de gente treinada e de sorte na noite.

 

Quem banca a edição de hoje

Glowing Skin, Plus a Free Gift

Pique's Radiant Skin Duo pairs Sun Goddess Matcha with B·T Fountain, a beauty electrolyte clinically backed to deliver 25% greater skin hydration in 15 days. Through Oct 11, get a FREE Nectar Sweetener with any $115+ order.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Fonte

Quatro laboratórios e o artigo de fevereiro de 2021

O artigo saiu na Current Biology em fevereiro de 2021, volume 31, com o título Real-time dialogue between experimenters and dreamers during REM sleep (diálogo em tempo real entre experimentadores e sonhadores durante o sono REM). Karen Konkoly assina como primeira autora e Ken Paller, da Northwestern, como autor sênior.

Os outros três grupos vieram da França, da Alemanha e da Holanda. Em Paris, Isabelle Arnulf, na Sorbonne. Em Osnabrück, Kristoffer Appel. Em Nijmegen, Martin Dresler, do instituto Donders, na Radboud.

Cada laboratório montou o próprio protocolo, com voluntários, estímulos e códigos diferentes. Os autores tratam o desenho como força do estudo: o mesmo achado apareceu em quatro lugares, com quatro métodos.

Ao todo, foram 36 voluntários. Alguns já tinham sonhos lúcidos com frequência, outros nunca tinham tido um e receberam treino antes de dormir, e o grupo de Paris trouxe um paciente de narcolepsia.

Os números do artigo, somados os quatro laboratórios: das 158 tentativas de comunicação, 18,4% tiveram resposta correta, 3,2% tiveram resposta errada, 17,7% tiveram resposta ambígua e 60,1% ficaram sem resposta.

Uma resposta certa a cada cinco perguntas, dada por quem dormia, bastou para provar o canal de duas vias.

O artigo também lista o que não sabe. Não está claro por que tantas perguntas não chegaram ao sonhador: a voz pode ter sumido no enredo, ou a lucidez ter caído antes. A amostra é pequena, e o método ainda não foi testado com gente sem treino nenhum.

O que o artigo garante é o registro. Cada resposta correta veio com o traçado do sono REM em volta, conferido pelos pesquisadores, e com o sinal de lucidez antes da pergunta.

A equipe da Northwestern repetiu com os voluntários perguntas de sim ou não e contas simples, de um só dígito no resultado. Problemas longos ou perguntas abertas ficaram para estudos futuros, porque o código dos olhos só transmite números pequenos e respostas binárias.

“Se um sonhador consegue fazer contas sem acordar, o que mais o cérebro resolve enquanto você dorme?”

18,4%. Foi a parcela das 158 perguntas feitas a quem sonhava que voltou com a resposta certa (Konkoly e colegas, Current Biology, 2021).

 
 
Quiz da edição

No experimento descrito na edição, quando perguntaram ao voluntário quanto era 8 menos 6, quantos pares de movimento esquerda-direita os olhos dele fizeadar pra responder dentro do sono REM?

A8 pares
B2 pares
C6 pares
D1 par

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🔬🔬🔬🔬🔬  ótima 🔬🔬🔬🔬  boa 🔬🔬🔬  ok 🔬🔬  ruim 🔬  péssima
 
Escolha a edição de sexta

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai na sexta, 16/10.

Voto aberto até 14/10, 15h30

A Brinicle →
B Cueva de los Cristales →
C Hennig Brand →
D Frâncio →
 
Recomendação de Newsletter
Aprovado de Primeira

Aprovado de Primeira

A técnica de estudo do dia, o erro de rotina que derruba candidato bom e o ajuste pra aplicar hoje à noite. No seu email todo dia às 17:17.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 

Continue curioso. Mirabile dictu.

CIÊNCIA BIZARRA

Parece mentira. Mas é real e está provado

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo