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Archiv für Laryngologie und Rhinologie, 1895, volume 3. Richard Kayser, otorrinolaringologista em Breslávia, assina Die exacte Messung der Luftdurchgängigkeit der Nase, mede a passagem de ar narina por narina e registra que a dominância troca de lado sozinha. O fenômeno carrega o nome dele na literatura desde então.
O instrumento veio de antes. Em 1889, o fisiologista holandês Hendrik Zwaardemaker encostava uma superfície de metal polido e frio embaixo do nariz e comparava as duas manchas de vapor. O teste mais barato da rinologia continua sendo o mesmo.
Acta Oto-Laryngologica, 1953. Poul Stoksted, em The physiologic cycle of the nose under normal and pathologic conditions, levou a medida a cerca de 180 pessoas e relatou o revezamento em torno de 80% delas. O número virou frase de livro-texto e ficou repetido por meio século.
Acta Otolaryngologica, 1997, volume 117. Peter Flanagan e Ronald Eccles, em Spontaneous changes of unilateral nasal airflow in man, reexaminaram a mesma conta e acharam o padrão recíproco clássico em cerca de um quinto dos voluntários. O restante oscilava de um lado para o outro, mas sem a simetria limpa do desenho de livro.
European Respiratory Journal, 1996, volume 9. Ronald Eccles, em A role for the nasal cycle in respiratory defence, montou a hipótese de defesa: o revezamento existiria para dar folga à mucosa de um lado enquanto o outro cumpre a escala.
Nature, 1999, volume 402. Noam Sobel, Rehan Khan e colegas, em The world smells different to each nostril, mostraram que a diferença de fluxo entre os dois lados muda qual odor rende mais em cada narina, e que o efeito acompanha a velocidade com que a molécula se dissolve no muco.
Human Neurobiology, 1983, volume 2. David Werntz, Reginald Bickford, Floyd Bloom e David Shannahoff-Khalsa, em Alternating cerebral hemispheric activity and the lateralization of autonomic nervous function, registraram alternância de amplitude no EEG acompanhando a narina dominante. A amostra é pequena e a replicação, escassa.
PLoS ONE, 2016. Rotem Kahana-Zweig e colegas, do Instituto Weizmann, em Measuring and characterizing the human nasal cycle, prenderam sensores de fluxo nasal ao rosto de 33 voluntários por 24 horas seguidas, na medida contínua mais longa já feita do fenômeno.
O resultado bagunçou o consenso. O padrão clássico apareceu numa minoria dos casos, e a soma dos dois lados não se manteve tão constante quanto o livro-texto prometia. O revezamento existe, mas as duas curvas em espelho perfeito são a exceção.
O que segue em aberto é a pergunta mais simples de formular: para que serve. Defesa da mucosa, olfato em duas velocidades e economia de umidade são hipóteses plausíveis, e nenhuma está fechada. Também falta o endereço exato do marca-passo dentro do hipotálamo.
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