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Em 2020, o sismólogo Simone Cesca, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ), em Potsdam, publicou na Nature Geoscience a explicação mais aceita para a onda de novembro. A fonte era um reservatório de magma (rocha derretida) escondido sob o fundo do mar, perto de 30 quilômetros de profundidade.
O reservatório estava se esvaziando. O magma escapava por fissuras rumo à superfície, e o teto de rocha sobre a câmara, sem o apoio de baixo, cedia aos poucos.
A cada cedida, o teto batia na câmara como um martelo num tambor. O líquido lá dentro entrava em ressonância (a vibração que se repete na frequência própria de um objeto, como a corda de um violão), e a câmara inteira oscilava no mesmo ritmo.
O ritmo dependia do tamanho e da forma da cavidade. Pelo período da onda, o grupo de Cesca calculou uma câmara de vários quilômetros de extensão, cheia de magma de baixa viscosidade (a resistência de um líquido a escorrer: mel é viscoso, água não).
Uma câmara grande vibrando devagar produz onda longa. Onda longa perde pouca energia no caminho: foi assim que o sinal cruzou continentes e oceanos sem se apagar.
O estudo de Cesca também explicou por que ninguém sentiu nada. A amplitude (a altura da oscilação) era minúscula na superfície, e a lentidão da onda ficava abaixo do que o corpo humano percebe. Só instrumentos calibrados para ondas longas a registraram.
O teto de rocha cedia sobre um reservatório que se esvaziava, e cada cedida fazia a câmara tocar como um sino. |
A onda de 11 de novembro não foi a única. Revendo os registros de 2018 e 2019, os pesquisadores acharam outros eventos parecidos, menores, todos com a mesma assinatura de período longo e a mesma origem a leste da ilha.
A ilha confirmou a leitura por outro instrumento. Estações de GPS (receptores que medem a posição por satélite com precisão de milímetros) em Mayotte mostraram o chão afundando e escorregando para leste ao longo de 2018.
Segundo o estudo de Anne Lemoine, do Serviço Geológico da França (BRGM), publicado em 2020 no Geophysical Journal International, o leste da ilha baixou cerca de 10 centímetros no primeiro ano da crise.
O padrão bate com uma bolsa de magma em esvaziamento. Quando o reservatório perde volume, o terreno acima afunda, e a ilha, presa ao mesmo bloco de rocha, desce junto.
A conta fechava pelos três lados: a onda longa, o enxame de tremores e o chão descendo. Faltava achar para onde o magma tinha ido. Se saiu do reservatório, precisava ter chegado a algum lugar, e a resposta estava no fundo do mar.
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