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Mémoires de l'Académie Royale des Sciences, 1830. Pierre Flourens seccionou canais semicirculares de pombos e registrou que o animal passava a mexer a cabeça justamente no plano do canal cortado. Foi a primeira prova de que aqueles tubos tratavam de movimento, e não de audição.
Physiologische Untersuchungen über das Endorgan des Nervus octavus, 1892. Julius Richard Ewald pressurizou o canal horizontal de pombos com um martelo pneumático e formulou as regras que levam o nome dele: a resposta sai no plano do canal estimulado, e a direção do fluxo decide o sentido.
Physiologie und Pathologie des Bogengangapparates beim Menschen, 1907. Robert Bárány levou o exame para a clínica com água morna e água fria no conduto auditivo, que criam corrente dentro do canal e disparam movimento ocular sem giro nenhum de cabeça. Rendeu a ele o Nobel de Medicina de 1914.
Archives of Neurology and Psychiatry, 1933, volume 30. Rafael Lorente de Nó, em Vestibulo-ocular reflex arc, mapeou a via inteira e batizou o arco de três neurônios. O nome pegou e continua no lugar.
New England Journal of Medicine, 1952, volume 246. Living without a balancing mechanism, de John Crawford, é o relato de um médico sobre o próprio labirinto perdido para a estreptomicina. Virou o texto mais citado da literatura sobre oscilopsia e foi reimpresso no British Journal of Ophthalmology em 1964.
The Journal of Physiology, 1976, volume 256. A. Gonshor e G. Melvill Jones, em Extreme vestibulo-ocular adaptation induced by prolonged optical reversal of vision, puseram voluntários para viver dias inteiros com prismas que invertem a imagem. O ganho do reflexo despencou e, com semanas de uso, chegou a trocar de sinal.
Journal of Neurophysiology, 1976, volume 39. David A. Robinson, em Adaptive gain control of vestibuloocular reflex by the cerebellum, mostrou que o flóculo cerebelar regula o ganho, o que explica a recalibração automática quando alguém troca o grau dos óculos.
Archives of Neurology, 1988, volume 45. Gabor Michael Halmagyi e Ian Curthoys, em A clinical sign of canal paresis, transformaram o giro brusco de cabeça em sinal clínico padronizado, sem equipamento nenhum.
Neurology, 2009, volume 73. Hamish MacDougall, Konrad Weber, Leigh McGarvie, Michael Halmagyi e Ian Curthoys, em The video head impulse test, acoplaram uma câmera de alta velocidade ao mesmo giro e passaram a flagrar o pulo corretivo rápido demais para o examinador enxergar.
Journal of Neurophysiology, 1996, volume 76. Swee Aw e colegas mediram o reflexo em três dimensões durante giros de alta aceleração e fixaram a latência humana em torno de sete a dez milissegundos.
O que segue em aberto é onde a calibração fica guardada. Flóculo cerebelar e núcleo vestibular disputam o endereço da memória que ajusta o ganho, e as duas escolas medem o mesmo animal há décadas sem fechar a conta.
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