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Nature, volume 222, 1969. Edward Conklin, medindo o céu em 8 gigahertz do alto de uma montanha da Califórnia, publicou o primeiro indício de que a radiação de fundo não chegava igual de todas as direções.
Physical Review Letters, volume 39, 1977. George Smoot, Marc Gorenstein e Richard Muller, em Detection of anisotropy in the cosmic blackbody radiation, instalaram um radiômetro diferencial na escotilha de um avião U-2 e voaram acima da parte pesada da atmosfera. O resultado: 390 quilômetros por segundo, com margem de 60.
Astrophysical Journal Letters, volume 313, 1987. Alan Dressler, Sandra Faber, David Burstein, Roger Davies, Donald Lynden-Bell, Roberto Terlevich e Gary Wegner assinam Spectroscopy and photometry of elliptical galaxies: a large-scale streaming motion in the local universe.
Os sete mediram a velocidade própria de centenas de galáxias elípticas e acharam todas escorrendo para o mesmo lado. No artigo seguinte, de 1988, o grupo batizou o destino de Grande Atrator.
Astrophysical Journal, volume 419, 1993. Alan Kogut e colegas, com o instrumento DMR do satélite COBE, fecharam a amplitude do dipolo em 3,365 milikelvins e converteram o dado no movimento do Grupo Local, 627 quilômetros por segundo.
Nature, volume 379, 1996. Renée Kraan-Korteweg e colegas, em A nearby massive galaxy cluster behind the Zone of Avoidance, mostraram o aglomerado de Norma escondido atrás da faixa, com massa da ordem da de Coma.
Nature, volume 513, 2014. Brent Tully, Hélène Courtois, Yehuda Hoffman e Daniel Pomarède, em The Laniakea supercluster of galaxies, usaram o catálogo Cosmicflows-2, com a velocidade própria de 8.000 galáxias medida uma a uma, e trataram o campo de velocidades como um mapa de bacias hidrográficas.
A definição saiu invertida em relação ao costume. Um superaglomerado deixou de ser um amontoado visível de galáxias e virou o volume dentro do qual todas as trajetórias convergem para o mesmo fundo de vale, como a água de uma bacia.
O nosso tem 520 milhões de anos-luz de ponta a ponta e cerca de 100 mil galáxias. Nome: Laniakea, céu imenso em havaiano.
Nesse desenho, o Grande Atrator deixa de ser um objeto isolado e vira um trecho de corrente, o fundo achatado do vale para onde escorre a nossa parte do fluxo. A Via Láctea fica na periferia da bacia, longe do centro.
Nature Astronomy, 2017. Yehuda Hoffman, Daniel Pomarède, Brent Tully e Hélène Courtois, em The dipole repeller, reconstruíram o campo de velocidades em três dimensões e localizaram a região vazia que empurra pelas costas.
Planck 2018, resultados I. A amplitude do dipolo ficou em 3,3621 milikelvins e a velocidade do sistema solar em 369,82 quilômetros por segundo, na medida mais precisa já feita do movimento.
O que segue em aberto é o tamanho da bacia. O catálogo Cosmicflows-4 e uma análise publicada na Nature Astronomy em 2024 sugerem que Laniakea talvez não seja a última fronteira.
A chance de a nossa vizinhança pertencer a uma bacia bem maior, centrada em Shapley, ficou em torno de 60%. E o censo da massa atrás da Zona de Evasão continua sem fechar.
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