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O artigo saiu na Nature, volume 355, em 9 de janeiro de 1992, com o título "Um sistema planetário ao redor do pulsar de milissegundo PSR1257+12", assinado por Aleksander Wolszczan, da Universidade Cornell e do Observatório de Arecibo, e Dale Frail, do Observatório Nacional de Radioastronomia dos Estados Unidos.
Os números centrais do trabalho: rotação de 6,22 milissegundos, dois corpos de cerca de 3,4 e 2,8 massas terrestres, períodos orbitais de 66,5 e 98,2 dias, distância estimada do pulsar à Terra em torno de 2.300 anos-luz.
"As observações de cronometragem do PSR1257+12 revelam a presença de dois ou mais corpos de massa planetária em órbita ao redor do pulsar." Aleksander Wolszczan e Dale Frail, Nature, 1992 |
O contraditório vinha de casa, e vinha quente. Em julho de 1991, Andrew Lyne, Matthew Bailes e Setnam Shemar, da Universidade de Manchester, publicaram na Nature um planeta em órbita do pulsar PSR 1829-10. Seis meses depois, Lyne descobriu que o sinal nascia de uma correção malfeita na órbita da Terra usada para converter os horários de chegada, defeito que produzia um falso ciclo de meio ano no período do suposto planeta.
Lyne subiu ao palco do encontro da Sociedade Astronômica Americana em janeiro de 1992, em Atlanta, e retirou o próprio resultado diante da plateia. Wolszczan apresentou o achado do PSR B1257+12 na mesma sessão, minutos depois. A retratação pública acabou funcionando a favor: ela mostrou qual era a armadilha do método, e os dois períodos de 66,5 e 98,2 dias não têm relação nenhuma com o ano terrestre.
Três limitações precisam de nome. A primeira: cronometragem mede massa mínima e período, não composição, então chamar os corpos de rochosos é inferência de modelo, sem espectro que comprove a superfície. A segunda: um quarto objeto, de massa próxima à de Saturno e órbita longa, chegou a ser reportado como candidato e foi descartado em análises posteriores, que atribuíram o resíduo ao meio interestelar entre nós e o pulsar.
A terceira limitação é a que continua aberta: ninguém sabe de onde veio o material que formou os planetas. Disco de matéria que caiu de volta após a explosão e disco feito dos restos da companheira estelar são as duas hipóteses em disputa, e os dados de cronometragem não distinguem uma da outra, porque medem a órbita atual e nada informam sobre a história anterior. A resposta depende de encontrar outros sistemas planetários em pulsares, e apenas um punhado de candidatos apareceu em trinta anos de busca.
Sobra um mal-entendido que vale desfazer. A descoberta é citada às vezes como planeta sobrevivente da explosão, e os cálculos apontam o contrário: os corpos atuais nasceram depois da catástrofe, com matéria reciclada, e qualquer planeta original do sistema foi perdido na expulsão das camadas da estrela.
"Quantas descobertas você atribui ao plano de quem procurava, quando a máquina estava parada para conserto?"
Cerca de 3,4 e 2,8 massas terrestres, em órbitas de 98,2 e 66,5 dias. Foram os dois primeiros planetas confirmados fora do Sistema Solar, registrados por Aleksander Wolszczan e Dale Frail no radiotelescópio de Arecibo e publicados na revista Nature em 1992.
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