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Aço é ferro misturado com carbono. Uma faca de cozinha comum leva abaixo de 1% de carbono. O wootz trazia entre 1,5% e 2%, segundo as análises do metalurgista John Verhoeven, da Universidade Estadual de Iowa, publicadas em 1998 na revista JOM.
Com tanto carbono, o ferro não consegue dissolver o excesso. A sobra se junta em cementita (carbeto de ferro, um composto duro e quebradiço com três átomos de ferro para cada átomo de carbono).
Num aço moderno com esse teor, a cementita costuma crescer em placas grossas nas bordas dos grãos do metal, e a lâmina racha na primeira pancada forte. No sabre, ela aparecia em fios finos e compridos, alinhados em faixas paralelas.
As faixas de cementita são o desenho. Na superfície da lâmina, elas refletem a luz de um jeito diferente do ferro em volta, e a gravação final com ácido, feita pelo próprio ferreiro, deixava as linhas claras saltarem sobre o fundo escuro.
O grupo de Dresden queria ver o interior desses fios. A equipe usou microscopia eletrônica de transmissão (técnica que atravessa com elétrons uma fatia finíssima de material e mostra o arranjo dos átomos).
Nas imagens apareceram os nanofios de cementita e, em volta de vários deles, camadas curvas de carbono puro com a assinatura dos nanotubos. Os tubos ficaram visíveis depois do banho em ácido, que comeu o ferro e deixou os carbonos para trás.
A cementita deixa o aço quebradiço quando cresce em placas, e endurece a lâmina quando fica presa em fios finos. |
A hipótese da equipe liga as duas estruturas. Os nanotubos teriam nascido primeiro, durante a forja, e servido de molde e de capa para a cementita, que cresceu por dentro ou ao longo deles sem conseguir engrossar.
O processo da oficina, reconstruído por Verhoeven e por historiadores do metal, seguia quatro etapas:
1. O ferreiro fechava ferro, carvão e matéria vegetal num cadinho e levava ao fogo até o metal absorver carbono.
2. O bolo de wootz esfriava devagar dentro do forno, por horas, e formava grãos grandes.
3. Na forja, a peça era aquecida a uma temperatura moderada e martelada muitas vezes, sem chegar ao vermelho vivo, para não desfazer os carbetos.
4. Os ciclos de calor e martelo alinhavam os carbetos em faixas, e o banho de ácido no acabamento revelava o desenho.
Os textos antigos de metalurgia indiana citam casca de Cassia auriculata (um arbusto indiano usado em curtume) e folhas de Calotropis gigantea (a flor-de-seda, planta comum na Índia) dentro do cadinho. O grupo de Dresden sugeriu essas plantas como uma das fontes do carbono e das impurezas que ajudaram os tubos a se formar.
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