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Sob o lago Peigneur existe um domo de sal (coluna de sal empurrada para cima a partir de camadas profundas, como uma bolha subindo num pote de mel). Esses domos são comuns no litoral do golfo do México e guardam sal quase puro, fácil de minerar.
A Diamond Crystal tirava o sal pelo método de salões e pilares (câmaras abertas na rocha, sustentadas por colunas de sal deixadas no lugar). As galerias eram altas como prédios, distribuídas em vários andares, e ocupavam um volume enorme de vazio seco debaixo do lago.
Um buraco num fundo de lago comum entope logo: lama e areia descem e tampam o caminho. Aqui o furo dava num salão vazio, com ar dentro, e as paredes do furo eram feitas de um material solúvel em água.
O lago era de água doce, a pior combinação possível. A água doce dissolve sal com rapidez, então cada litro descendo pelo furo levava junto um pouco da borda. O buraco engordava a cada minuto, e um buraco maior deixava passar mais água.
O processo inteiro cabe em cinco etapas:
1. A broca perfura o teto de uma galeria cheia de ar.
2. A água do lago desce pelo furo, puxada pela gravidade.
3. A água doce dissolve as paredes de sal do furo e alarga a passagem.
4. A vazão cresce, a superfície gira e forma o redemoinho.
5. Lama, árvores e barcaças descem junto, e os pilares da mina cedem.
O furo de 36 centímetros não ficou com 36 centímetros: a água comeu o sal das bordas e transformou um furo de broca num ralo. |
Os pilares fecham o ciclo. Cada coluna de sal deixada para segurar o teto também dissolvia na água doce. Com os pilares mais finos, trechos do teto desabaram, abriram novas passagens para o lago e aumentaram de novo a vazão, sem nenhuma chance de o buraco se fechar sozinho.
O ar da mina também reagiu. Comprimido pela água que entrava, ele saiu pelo poço principal num jato violento de lama e vento, descrito pelas testemunhas como um gêiser subindo acima da torre do elevador.
Enquanto o lago baixava, o canal Delcambre, que liga o Peigneur à baía de Vermilion e ao golfo do México, inverteu o sentido. Em vez de escoar para o mar, passou a despejar água salgada no lago vazio, numa cachoeira temporária formada na beira da cratera.
O canal encheu o buraco em cerca de dois dias. O lago voltou, porém com outra química: deixou de ser água doce e passou a ter água salobra do golfo, com uma cratera funda no meio, onde antes havia fundo plano.
Nove das 11 barcaças afundadas voltaram à tona nos dias seguintes, soltas da lama como rolhas. A plataforma de perfuração e o rebocador ficaram no fundo.
A velocidade explica o espanto das testemunhas. Um ralo comum de banheira leva minutos para esvaziar poucos litros; o ralo do Peigneur crescia enquanto drenava, então a vazão do fim da tarde era muitas vezes maior do que a do começo da manhã. O lago não escoou em ritmo constante, acelerou até acabar.
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