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Vlastimil Hart, zoólogo da Universidade Tcheca de Ciências da Vida, dividiu o projeto com Hynek Burda, biólogo tcheco radicado na Alemanha, da Universidade de Duisburg-Essen. O artigo saiu assinado por 12 pesquisadores das duas instituições.
Burda já estudava magnetorrecepção (a capacidade de um animal perceber o campo magnético da Terra) havia décadas, primeiro em roedores que vivem debaixo da terra. Os cães entraram por serem fáceis de observar: todo dono passeia com o seu, todo dia, no mesmo horário.
A coleta seguiu quatro passos:
1. O dono soltava o cão num campo aberto e esperava a parada, sem puxar nem chamar.
2. Na hora em que o animal se agachava, o dono media com bússola o eixo do corpo, da cabeça à cauda.
3. A ficha recebia a data, a hora exata e o lugar, para o cruzamento posterior com o campo magnético.
4. A equipe descartava as paradas perto de qualquer referência visual, como cerca, muro ou caminho reto.
Ninguém treinou os cães para nada. Os animais passeavam do jeito de sempre, nos lugares de sempre, e o único instrumento novo no passeio era a bússola na mão do dono.
O campo calmo saiu de dados de observatórios geomagnéticos, estações que medem o campo da Terra sem parar. A equipe olhou a declinação (o ângulo entre o norte da bússola e o norte geográfico) e quanto ela variava na hora de cada parada.
Quando a declinação oscilava pouco, o período entrava como calmo. Quando o Sol mandava uma rajada de partículas e a declinação balançava, entrava como agitado. A classificação não dependia do dono nem do cão.
A análise usou estatística circular, a matemática feita para dados em forma de ângulo, porque a média comum de 350 graus e 10 graus daria 180, o sul, quando os dois apontam quase para o norte.
Na calmaria magnética, o cão não escolhia entre norte e sul: escolhia o eixo, e evitava as duas pontas do leste-oeste. |
Esse detalhe pesa. O estudo mediu um alinhamento axial (uma preferência pela linha, sem distinguir os dois sentidos dela). Um cão virado para o norte e outro virado para o sul contavam igual, os dois sobre o mesmo eixo.
As micções seguiram a mesma tendência, mas com um porém. Nos machos que erguem a pata, a postura depende do poste ou da moita escolhida, então a equipe tratou esses registros com mais cautela. A defecação, feita em campo livre, deu o sinal mais limpo.
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